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quarta-feira, 25 de agosto de 2010

NÃO SABER DIZER "NÃO" E O CAPRICHO DA MUDANÇA EXTRAVAGANTE
Paulo Roberto Guimarães Moreira *
Duas atitudes, digamos femininas, mas cometidas por ambos os sexos, talvez mais pelas mulheres, estão me incomodando muito: a primeira é a dificuldade de dizer não e a outra o capricho, a extravagância das infinitas reformas de apartamento, por exemplo.
Não sei por que vocês escrevem. Eu escrevo para desabafar. Nesse momento estou sentado no meu divã favorito. Meu terapeuta e Terapeuta me abarrotaram de idéias. Meu terapeuta é meu subconsciente e meu Terapeuta meu Supra consciente: um é o subconsciente freudiano, um mar de coisas reprimidas, o Outro minha Alma, o raio de luz que me conecta com o mar Divino. As coisas negativas e algumas positivas mundanas vêm daquele e as coisas divinas, vêm do último.
Tenho uma amiga, que é minha alma gêmea, na sinastria dos mapas astrais (superposição dos mapas). Pela diferença de idade, melhor seria se fôssemos mesmo amigos, mas, uma esperança sempre existe nesse meu coração adolescente. Quero levá-la numa feira budista, uma das festas mais tradicionais de Brasília que acontece todo mês de agosto. Lá nos deleitamos com a comida e as danças japonesas. Ela adorou a idéia de irmos. Ela é do signo de virgem. E qual um defeito típico do virginiano? Não saber dizer não. Então, num sábado, ela vai sair com os amigos e não tinha se lembrado disso, no domingo não tinha feito as unhas. No outro sábado ia fazer as unhas naquele horário. No domingo tinha se esquecido da festa do primo. Bem, nessas alturas deixei de ir num sábado por cansaço e num domingo por que estava frio e eu estava já debaixo dos lençóis. Bem, ainda há um fim de semana de agosto. Vou cancelar nossa ida lá, porque corro o risco de, no sábado, ela ir tosquiar o cachorro ou coisa parecida e, no domingo, comprar um novo aquário, naquele horário. E eu iria lhe dar nesse encontro uma consulta e um vidro de Florais de Bach grátis, assim como já lhe dei outras coisas!
Eu não sou desse tempo. Eu sou de um tempo no futuro em que os Florais de Bach são obrigatórios assim como obrigatório é tomar banho e escovar os dentes. Eu não sou desse tempo agora! Não sou desse tempo do: Você acredita em Florais de Bach? - Não acredito porque tomei uma vez e não fez efeito. Mas, você tomou direitinho, quatro gotas, quatro vezes ao dia, na água? – Não, tomei uma vez e esqueci o vidro no armário. Bem, nunca vi fazer efeito no armário, como diz minha secretária Fátima. Nesse caso é preciso muita fé. Como anda sua fé? – Ótima, aliás, não tenho problemas nem mentais, nem emocionais, nem físicos. Bem, nesse caso, estou na dúvida (tomo florais para dúvida, em vez de dar a ela) porque não sei se peço para você me abençoar, porque estou diante de uma santa, ou lhe dou florais para a síndrome da santidade precoce, o floral de quem precisa se olhar no espelho. Eu sou de outro tempo, tenho ascendente em aquário e sempre vivi fora de época. E o que é pior, tenho Plutão na casa sete, durmo com a inimiga, traduzindo, me envolvo com uma mulher que será minha inimiga. Ô carma bravo. É preciso ter calma com o carma!
Bem, moro de frente para um apartamento que toda mulher que para aqui vem e muda tudo, quebra tudo. Passo a semana inteira ouvindo a quebradeira. A dona quebrava tudo. Punha tudo novo sempre, até as portas: social e de serviço. Alguns meses depois de colocar caríssimas portas de serviço mudou de apartamento. No outro novo a quebradeira deve ter tido continuidade. Veio nova inquilina e nova quebradeira. Agora vem a filha da dona, que casou e a quebradeira foi de dar inveja em mulher que quer trocar de marido e troca de casa, móveis, carro e continua com o marido antigo. E olha que ela está casando imagina se estivesse se separando? Meu lado Economista detesta gastos desnecessários, fúteis, extravagantes. Vivo pregando a poupança e meu Mestre também. Vejam as palavras de um Economista Espiritual (Yogananda): Gaste menos e poupe mais, eliminando gastos extravagantes. De seus rendimentos, economize o mais que puder, para viver parcialmente dos juros de sua poupança, sem ter que recorrer ao capital principal. Não dá para fazer isso querendo que o ambiente acompanhe suas mudanças de humor.
Paulo, você brigou com as mulheres? Minha psicóloga disse que sou mais rigoroso com as mulheres do que com os homens pela frustração que tive com minha mãe doente. Mas, você fechou seu coração? Não, isso é muito forte. Minha prioridade agora depois dos 58 anos é Deus e encontrei o caminho mais curto para ele, é só seguir: a Kriya Yoga. Ando em cadeira de rodas e como disse Dr. Campos da Paz, os paraplégicos têm sorte, estão livres de se relacionarem com pessoas medíocres. Então não sou sequer visto por muitas mulheres. A porta é estreita, não que eu queira, tornou-se, por inúmeros motivos. Estou mais velho. E com traumas passados. Ainda vivo num país pouco educado e até sem etiqueta. Às vezes sem nada. Muitas vezes me ligam com um toquinho para eu ligar de volta. Fica difícil, não há libido que aguente, nem orçamento, risos.
Voltando ao não saber dizer não tem algo mais grave: a palavra. A pá que lavra. Para Gandhi a verdade é Deus. Para Yogananda, em quem só diz a verdade a palavra é sagrada, faz milagre. Aqui nas nossas paragens brasílicas, desse Brasil varonil a palavra é moeda vil. Negocia-se com ela o tempo e a paciência dos outros. O que se diz não tem valor. E assim as pessoas se desvalorizam. Não há sequer encontro. Para um encontro sagrado a palavra e o tempo têm que ser sagrados. O sagrado sumiu. Sumiu dos bancos escolares, dos lares, da vida em geral. Tudo ficou banal. O Estado é laico e na sociedade o deveria ser sagrado, ficou prosaico. E tudo que eu quero é ser amado.
Perguntaram ao Chico Xavier se ele não iria casar. Dizem que em uma vez ele teria dito que havia casado muito, em muitas encarnações e que agora Deus estava lhe proporcionando um descanso. Yogananda ao contar, quando foi à casa da esposa de Lahiri Mahasaia, escreve algo assim: - Vim ver o drama familiar de Lahiri Mahasaia. Família pode ser boa, mas que é dramática também isso é. Acho que estou num momento de descanso e nada melhor para esse descanso do que querer encontrar de fato alguém, um verdadeiro encontro, o encontro, o Encontro com Deus.

* Paulo Roberto Guimarães Moreira está sendo conduzido para Deus pelo seu mestre: o sofrimento, inclusive seu sofrimento com as mulheres.