Palace Hotel - Caxambu

domingo, 4 de junho de 2017

CONTAM QUE! - Histórias (estórias) do Parque das Águas).

CONTAM QUE!
(Histórias (estórias) do Parque das Águas).
by José Celestino Teixeira.



Naquele final dos Anos 50 e início da agitada Década de 60, o Parque das Águas em Caxambu era muito bem frequentado.
A Capital Federal, ainda era o Rio de Janeiro, a Cidade Maravilhosa.
Por aqui passeava a fina flor da sociedade Carioca.
Dos Mayrink Veiga, passando pelos donos das Casas Helau (Jorge), o Gama Filho (Universidade Gama Filho) e outras nobres figuras do "Jet set" Nacional.
Naquele tempo, o Targino Guimarães, o Harley era o Mestre da Alta Costura.
O Instituto Sylvia Figueiredo no Balneário do Parque das Águas era palco de desfile das mais belas moças e senhoras da Capital.
Nos Salões do Hotel Glória, Palace Hotel e Grande Hotel o traje era fino, traje completo.
E dizem até que as Senhoras desfilavam pela manhã no Parque ornadas de Jóias & balagandãs (balagandans).
Naqueles bons tempos o Parque era administrado pela Empresa Caxambu, a Empresa das Águas da família Gama Cruz.
Alias, muito bem administrado não só o Parque, como também, o Hotel Caxambu, o Cine Caxambu e o Hotel Anexo (onde, hoje, funciona a Prefeitura), na Praça 16 de setembro.
Outro dia em conversa amistosa com os amigos Tênil e Gláucio Lahmann fiquei sabendo de uma historia pitoresca e interessante.
Contou-me o Gláucio, que naquele tempo ele , ainda, menino além da ajudar a mãe, Dna Elza Gallo Lahmann no Parque, naquele porto de atracamento de barcos e pedalinhos, ele, também engraxava sapatos no Parque.
A Dna Elza Gallo Lahmann era uma das irmãs Gallo que alegravam a cidade com suas serestas. Tocava violão e cantava.
Que não se lembra das Irmãs Gallo que durante muito tempo alegraram as Margens do Bengo com suas canções harmoniosas?
A grana naquele tempo era curta, mas, em compensação as gorjetas eram gordas.
Certa feita uma veranista de meia idade toda emperiquitada de jóias tratava dos marrecos, patos e gansos junto a Estação dos Pedalinhos.
De repente caiu-lhe dos dedos um dos anéis que trazia incrustado um brilhante.
O Pato afoito mais que depressa engoliu a jóia.
A madame aos gritos gritava por socorro.
O pato assustado sai em disparada e num vôo mirabolante caiu n’água do Lago.
Era um Pato Escuro, negro-azulado de fácil identificação.
Foi então que os empregados do Parque que estavam por ali mais o Gláucio saíram em socorro da tal Senhora.
O Pato n’água já ia longe, quando o barco a remo aproximou-se dele levando os salvadores da jóia rara.
Um deles pegou no rabo do pato e ficou com as penas na mão.
O outro que remava deu um giro no barco e continuaram na caçada maluca até que conseguiram pegar o Pato.
Sentença fatal!
Um deles mais habilidoso pegou um facão limpou as penas do pescoço do bicho e o colocou sobre um tronco.
Num golpe certeiro arrancou-lhe o pescoço.
Nada encontrado na goela do pato.
Foram em frente na presença da madame que a tudo assistia sem nenhuma piedade para com o bicho que já se esvaia em sangue.
Depenaram a barriga do Pato e foram em busca da Moela.
A medida que iam dilacerando as entranhas do estômago do bicho apareciam pequenos graus dourados como grãos de área grossa.
Notaram que aquilo era ouro.
Mas, como num espaço de tempo tão curto o anel teria praticamente se dissolvido nas entranhas do Pato, com tamanha rapidez.
De repente na moela a pedra brilhou ofuscando os olhos do “Patocida” (aquele que pratica o assassinato do Pato).
Era o brilhante inteiro são e salvo!
Todos se alegraram.
A Senhora atônita assistindo a tudo indagou:
E o resto?
Infelizmente, o resto tinha virado areia no estômago e na moela do Pato.
Salvou-se a Pedra por inteira.
Menos-mal!
Afinal, a pedra é que valia o Anel.
Fim da caçada!
A gentil Senhora abriu a bolsa e retirou um pacote de Notas de Cinqüenta Cruzeiros novíssimas preso por um elástico.
Fresquinhas saídas direto da Caixa do Banco da Lavoura.
As notas eram daquelas em que tinham estampada a figura Princesa Izabel, a Redentora .
O que pegou o Pato ganho duas delas e, os demais uma cada um.
Pra se ter idéia, naquele tempo Uma Nota de Cinquenta Reais representava meio salário mínimo.
Numa manhã de verão, o Gláucio Gallo Lahmann faturou cinquentão.
Outro dia conversando com o Aluísio Arnaut, o Rei das Caçadas em Caxambu junto com o saudoso "Fura Coco" contou-me ser possível tal ocorrência.
Os patos têm no estômago um suco gástrico capaz de corroer qualquer alimento, num piscar de olhos.
Patos comem dia e noite sem parar.
Enquanto existir alimento eles estarão comendo sempre.
Vale a Historia, quando do Parque fica a Saudade!





José Celestino Teixeira Teixeira